viagens

Hoque

 

 

 

 

 

Nao se trata de uma viagem geográfica…  mas tinha que registá-la em algum sítio…

As 5 festas numa só

Anunciava-se na rádio e nos cartazes a grande festa que estaba para vir no dia 12 de Junho, no Cine Impala do Namibe. 5 festas numa só em simultâneo, no mesmo espaço. A festa da fruta, a festa dos bolos, a festa do chocolate, a festa da fantasia e a festa da praia. A expectativa era fortíssima.

Cheguei por volta da 1 da manha e a sala já estava bem composta. Decoraçao a combinar com as temáticas e carradas de bolos, goluseimas e frutas, bem distribuidas no espaço.

Havia muito boa energia no ar e os três Djs convidados nao desiludiram o público mais exigente nem por um segundo.

Houve ainda tempo para a actuaçao do cantor Aleluia, vindo de Portugal. Aí começou a minha perplexidade com os angolanos. Nao sao um público muito atento. O Aleluia, bonito, sorridente, a dar o seu melhor, e poucos foram os que cantaram as músicas com ele, pouco foram sequer os que lhe deram atençao. A maioria das pessoas ficava só a conversar.. sentia-se o burburinho mesmo com o volume do som bem forte. No final da actuaçao, nem a uma salva de palmas o desgraçado teve direito… enfim… calculo que nao tenha estranhado… Parece-me que o público angolano deve ser mesmo assim… um pouco desatento em alguns casos.

A festa continuou sempre em grande mas também com muitos precalços. A energia falhou umas quantas vezes, e o próprio sistema de som também. O ritmo quebrava-se e o público ficava sedento à espera das soluçoes.

Mais tarde, quando os ânimos já iam mais altos e a fome começava a apertar, deu-se o ataque às comidas. Ele eram caixas de bombons garoto nas maos de toda a gente, e enormes pedaços de bolo a serem devorados.

Chegou um momento, no meio duma daquelas falhas técnicas, que muita gente se sentia bem decepcionada e decidiu levar o seu dinheiro de volta para casa. Levar um bolo! Muitos foram os que agarraram num bolo inteirinho e encaminharam-se para a porta da saída, tentando disfarçar mais ou menos à porta, nao fosse haver uma repreençao. Tenho que confessar que fiz o mesmo. Só para a paródia! Heheheh! Era tudo muito insólito e divertido. Levei o meu bolo para o carro e voltei para a festa.

Dancei dancei dancei! Foi muito bom! Estou a começar a entrar muito bem na onda do Kuduro. A kizomba? Cada vez mais deliciosa. Puro mel.

 Por fim, quando já nada havia para comer, nem mesmo as frutas, veio o momento mais cómico da noite. Estávamos de novo sem electricidade. Apenas luzes de emergência ligadas. Haviam umas canas de açucar num canto da sala a fazer decoraçao. Nao sei quem começou. Só sei que a determinada altura, olhava à minha volta e tava toda a gente de volta das canas, a roer energicamente e a encher o chao dos restos (a cana de açucar faz muito lixo, quando se está a comer)! Era algo surreal. Uma festa para dançar, toda a gente com o seu melhor traje, uns de melhor gosto que outros, no escuro, parados, a devorar canas de açucar. Sao coisas que acho que só podem acontecer mesmo em África!

A música lá voltou e nós voltámos aos nossos afazeres! Dançar! Tchilar! Como eles dizem cá! Foi a loucura até pouco depois das 7 da manha, ja o sol ía altinho!

Foi bala! Quero mais disto!

Luanda – Namibe

Ano passado sofri  bastante no aeroporto de Luanda. Tinha que apanhar um voo doméstico para o Namibe. Entre cancelamentos, atrasos e outras histórias, passei 2 dias no aeroporto à espera e a treinar o desenvolvimento  da característica mais importante de um indivíduo nesta terra: a PACIÊNCIA.

Correu bastante bem. Se fosse na Europa, ficaria histérica. Reclamaria indeminizações e os meus direitos na defesa do consumidor. Aquí  foi diferente. Ri-me! Nunca podemos desesperar muito, senão o sofrimento pode chegar a ser penoso!

Este ano tive muita sorte. Atenção queridos leitores ao que vou dizer: Vim de carro até ao Namibe. Sao 1200 km, dos quais 60 são terra batida cheia de enormes buracos. Este ano choveu muitíssimo e o caminho piorou ainda mais! Mas devo dizer que prefiro 15 horas de carro sem parar, a passar horas e horas ou mesmo días no aeroporto sem saber o que irá acontecer.

Além disso, a viagem é de uma beleza singular. Uma maravilhosa introdução a África. Rectas intermináveis, ciudades separadas por centenas de quilómetros, e os “meus” horizontes…

Foz d0 Rio Cunene

Foi chegar ao Namibe numa 5ª feira à noite e no Sábado já tinha um programa bem interesante. Os meus amigos Glória e Alfredo uniam-se a um grupo umas 30 e tal pessoas, numa caravana de 14 carros, para passar 4 dias na Foz do rio Cunene. Convidaram-me.

Já tinha viajado a este destino, no ano pasado mas pelo interior, pelo Parque Nacional do Iona. Desta vez, foi pela costa. Saímos do Namibe até ao Tombwa por estrada. Aí apanhámos a linha de costa, pela Praia e não há enganos. São 4 horas de viagem e de emoção. Pelo interior seriam 10 horas.

É un trajecto bastante arriscado. Durante um par de horas, as dunas tocam o mar e temos que calcular na perfeição a hora das marés para atravessar esse troço de caminho com a maré vazia. Este não é o único risco. Levar um carro para as areias já é só por si perigoso. E ainda mais se algumas dessas areias são movediças, que é o caso. Jamais se deberá fazer esta viagem sozinho. Como mínimo deverão ir 2 carros juntos e com muitos recursos e conhecimentos mecânicos. Um telefone satélite poderá ser muito útil… conheço relatos de gente que não perdeu o seu carro por uma una negra. Eu mesma, no ano pasado, tive uma situaçao difícil no deserto. Uma avaría obrigou-nos a caminar varias horas, até que encontrámos um grupo de pescadores que nos ajudou… se não…

Atençao ao copo de liquido amarelo em à direita… wisky

Entre muitas peripécias, fomos a bom ritmo. Eu alucinava com a paisagem. A adrenalina do risco, a luz do amanecer e o ambiente festivo entre todos só me trazia boa energía.

Sempre que chego a Angola, ainda em Luanda, sinto por alguns momentos um certo desconforto. Uma sensação estranha que me faz prever que tão cedo nao regressarei. A sujidade, a falta de “civismo” de algumas pessoas, as falhas constantes no tratamento ao turista são factores de repulsa e chego a perguntar-me que faço eu aquí de novo, quando podía estar na Ásia, vendo paraísos e sendo tratada como uma rainha a baixíssimo custo.

Mas ao fazer viagens como a Foz do Cunene, volto a encontrar-me! Os sítios tão belos e totalmente selvagens, inexplorados dão-me um sentido único de exclusividade. Sou das primeiras a ver isto. Os próprios angolanos estiveram impedidos por muito tempo de conhecer a sua terra. A guerra acabou há 7 anos. Há 7 anos que os angolanos começaram a divertir-se, a viajar, a conhecer o seu espaço.

Um 95% dos meus companheiros de viagem são amantes da pesca. A Foz é um destino de excelência para a pesca de peixe graúdo. Acampámos numa Praia mais ou menos abrigada por uma duna, a uns 40 km da Foz. Logo pela manhãzinha todos se preparam para ir “trabalhar”. Eu e a Glória ficamos na Praia a aproveitar um fantástico dia de sol e calor. A Foz, recordo como hoje, é um local totalmente desabrigado e o vento é demasiado violento.

Passeamos pela praia. Que riqueza de costa. A areia coberta de ameijoas. Ao fundo, bandos de milhares de patos selvagens e alguns pelicanos. Os golfinhos também deram o ar da sua graça. E pareceu-me ver uma vez uma barbatana de tubarão no mar, bem próximo da areia. Um pouco perigoso tomar banho aquí. As crianças não podiam resistir, mas bem pertinho da areia e sob a atenta vigilância das mães.

Ao fim da tarde chegam os pescadores, felizes com a boa pescaria e cheios de fome. Começa o festival nocturno. As intermináveis garrafas de vino, cerveja, whisky, rum, pinacolada, ginginha, e tanta outras bebidas não param de salir das geleiras. Os ânimos começam a subir e não tarda muito até que reine a euforia total. Diversão à angolana! Como se bebe nesta terra!! Uff!! E o que me surpreende na verdade é que no dia seguinte, bem cedo, todos estão impecáveis e cheios de disposição para a rotina da pesca. Nao haverá ressaca em Angola???

Há um elemento no grupo mais dado ao ritmo e momentos de poética. O senhor Artur Neves. Fez-se acompanhar da sua guitarra eléctrica e amplificador e oferece-nos a sua voz doce, embalando-nos com melodías brasileiras e angolanas.

Artur Neves

Enquanto todos dormimos, na calada da noite, somos visitados por hienas, raposas e chacais. As pegadas por toda a área do acampamento são tema de conversa de manhã. O que importa é que todos respeitamos o espaço alheio. Durante o dia, os bichos mantém-se distantes. À noite, ocupam a sua propriedade…

Momentos antes de deixar o acampamento, sou presenteada com o  nascer da lua,  atrás de  uma duna, âs 17h. Tiro umas fotos. Ando um pouco obssecada com a lua.

2 responses

10 07 2010
Emanuel

ate que nao ta mau,,,, bummmmmmmm dia ,
rsrsrs

Valeu a viagem espero que nao seja a ultima por estas bandas,
bj bj

10 07 2010
lightfragments

nada mau mesmo!! última jamais!! ainda teremos muitas muitas!! hihihihi!
Que tenhas um fim de semana nada mau!! bj!

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